O encontro de duas gerações

Tatiane Hirata

O velho não lhe tirava os olhos. Sentado no banco ao lado, dirigia-lhe um sorriso familiar enquanto a fitava. Era o primeiro ano na faculdade e ela, que nunca pegara um ônibus na vida, atravessava agora a cidade que nem conhecia num circular em cujo itinerário era obrigada a confiar, sobretudo porque não saberia voltar se saltasse dele. “Será que eu tô cagada? Ou será que tá escrito na minha cara que eu to perdida? Talvez seja só porque ele é velho, afinal. As pessoas do tempo dele devem achar normal ficar encarando os outros até fazê-los se sentirem desconfortáveis”.

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