3D para quê?

por Beto Carlomagno

Representação perfeita do meu sentimento em relação ao 3D. Fonte: Ah Negão!

Se você acha que o 3D é a grande novidade do cinema dos últimos anos, se engana. A tecnologia já existia há muito tempo, mais precisamente desde o final do século XIX, e foi apenas reformulada para a nova geração. Os grandes estúdios e cineastas viram nessa forma de fazer e apresentar cinema uma salvação para a crise que a indústria cinematográfica vinha enfrentando. Com muitas promessas, esses filmes começaram a tomar as salas de cinema com mais frequência a partir de 2008. Em 2009 estreou Avatar, o filme que se valia da tecnologia mais aguardado por muitos. E a espera valeu a pena. Avatar é, junto com o recente Transformers: O Lado Oculto da Lua, um show visual com o melhor uso do 3D estereoscópico já feito até hoje. James Cameron mostrou que quando o filme é desenvolvido de forma planejada para a tecnologia e que essa tem um propósito, algo realmente bom pode sair daí. O problema é que, depois da bilheteria absurda feita pelo filme do diretor de Titanic, todos os estúdios acharam que o negócio era lançar filmes em 3D. Enganaram-se.

A ganância dos empresários de Hollywood mais uma vez se mostrou o grande problema. Filmes que já estavam praticamente prontos para serem lançados, logo após a estreia de Avatar, foram convertidos às pressas para uma exibição em 3D. Trabalhos mal feitos foram recorrentes nas salas de cinemas nos meses seguintes. Víamos personagens deformados pela transposição, cabeças fora dos corpos, telas embaçadas e até a impossibilidade de acompanhar certas cenas já que o uso da tecnologia exige algumas restrições no modo de filmar. Com o filme já feito, a conversão tende a falhar em cenas que não foram pensadas dentro de suas limitações. A discussão então pendeu para a seguinte: 3D original x conversão. Eu, que já não sou o maior fã de filmes em terceira dimensão, sou ainda mais contrário à conversão desnecessária com o simples intuito de fazer mais dinheiro, já que o ingresso para sessões em 3D normalmente são quase o dobro do preço da normal.

Mesmo com todos os problemas, no ano de 2010 a coisa parecia ter entrado nos eixos, e a maioria das estreias em 3D teve um bom resultado nas bilheterias e foram visualmente aceitáveis, nada mais que isso. Porém, a coisa parece já estar se invertendo. 2011 já começou com especialistas prevendo a crise do formato ao mesmo tempo em que o número de lançamentos recorrendo à tecnologia só aumentou. Nesse ano, no começo do verão norte-americano, época do lançamento dos maiores blockbusters, grandes filmes como Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas (que eu vi em 3D e que para mim é mais um na lista dos que não acrescenta em nada) e Kung Fu Panda 2, ambos lançados em 3D, viram suas bilheterias vindas dessas salas diminuírem muito em relação ao mesmo período no ano passado. E é aí que digo: as pessoas já estão se cansando do formato.

Não sou contra a evolução, mas seu uso indevido me irrita e tudo explorado à exaustão cansa. Certos filmes não deveriam ser em 3D e ponto. Hoje em dia, já não se consegue ver mais um filme infantil ou adolescente sem ter que se submeter àqueles terríveis óculos. Na verdade, nenhum gênero está livre. Temos filmes de ação, terror, comédias e daqui a pouco seremos obrigados a ver até dramas na maldita terceira dimensão. Todo estúdio tem imposto o formato aos seus diretores e produtores. Michael Bay, por exemplo, diretor da já citada franquia Transformers, sempre deixou claro não ser fã da tecnologia, mas foi pressionado até que aceitou fazer o terceiro filme da série no formato e mostrou saber o que estava fazendo em grande parte como citei na crítica do filme publicada aqui no blog (para acessar a crítica é só clicar aqui).

O que tem tornado insuportável o ato de ver um filme em 3D é o fato de que a maioria dos filmes lançados peca por não cumprir com o prometido. Pouquíssimos são os filmes lançados até agora que obtiveram algum benefício visível com a tecnologia. Quando trabalhado desde o início, o máximo que se consegue são alguns objetos de cena jogados em direção à tela e um pouco de profundidade. Agora, o problema principal é o seguinte: quando se vive em uma cidade de porte médio, nem sempre se consegue ter as duas opções e a partir disso somos obrigados a nos sujeitar a horas e horas de uma sessão incômoda. E se você acha que já viu filmes demais no formato nesse ano, prepare-se, ao todo estão programados aproximadamente 35 filmes em 3D para 2011.

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