Samba aos desajustados

Tatiane Hirata

Disseram que eu deveria escrever para a tal geração Y. Aqueles, que fazem trocentas coisas ao mesmo tempo, passam o dia conectados e não duram mais de três meses no mesmo emprego. Sei, sei. Bom, e que tipo de música lhes interessa? Eles curtem o vídeo do Youtube mais acessado da cidade, basicamente.

Claro, isso é só uma generalização injusta. Mas não se pode negar que colocar os ípisilons pra fazer música, hoje, é estar preparado para se deparar com um arco-íris de qualidade musical duvidosa (quiçá inexistente) e cabelo peculiar.

Eu, no auge de meus rasos 20 anos que me tornam tão Y quanto você, porto as boas novas: existe algo mais. Aos desajustados da geração, que, como eu, também apelam ao acervo musical deixado pela geração X e todas as outras letras anteriores do alfabeto, dedico esse post. A crítica eu já fiz. Vem agora um tributo. Quem gosta de samba pode continuar lendo.


Angenor de Oliveira nasceu em 1908, no bairro do Catete, no Rio de Janeiro. Para que não caísse cimento no cabelo, quando trabalhava em construções, usava um chapéu-coco, semelhante a uma cartola, que lhe rendeu o apelido com que foi imortalizado.

Cartola já teria entrado para a história como fundador da Estação Primeira de Mangueira e responsável pela escolha das cores verde e rosa, mas, além disso, sagrou-se ainda jovem um dos maiores compositores de samba do morro.

A primeira fase de Cartola, entre as décadas de 30 e 40, se caracterizava pela composição de sambas corridos, batucados, de quadra. Até que viesse a obra prima “As Rosas não falam”, para consolidar seus dotes românticos e um estilo mais maduro, com músicas de refinadíssima linha melódica e reconhecida construção poética. São desse período: “O mundo é um moinho”, “O Inverno do meu tempo”, “Tive sim” e “Peito vazio”.

Sua influência na formação musical de sucessivas gerações é “indelével como a flor”. Carlos Drummond de Andrade exaltou o lirismo presente em suas composições: “Cartola sabe sentir com a suavidade dos que amam pela vocação de amar, e se renovam amando”.

Apesar de suas canções terem se popularizado na década de 30, só em 1974, aos 66 anos de idade, o sambista conseguiria gravar seu primeiro disco solo. As músicas postadas fazem parte do álbum Documento Inédito, que reúne depoimentos e canções gravadas no final de 1979, pouco antes de sua morte. Uma verdadeira preciosidade. Ouça mais uma do criador da verde e rosa antes de voltar às outras 23 abas abertas no seu navegador.

Quer conferir essas e as outras músicas que compõem o álbum com depoimentos e músicas interpretadas por Cartola? Baixe Documento Inédito aqui.

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