Desassossego dentro da gúliver

Por Marcia Boroski

Clássicos como 1984, de George Orwell, Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley e Laranja Mecânica de Anthony Burgess são a prova que a geração Y não é influenciada somente por aquilo que é atual e efêmero.

Especialmente falando de Laranja Mecânica, cuja versão cinematográfica fez mais sucesso que o livro, alguns signos da obra foram disseminadas e se estabeleceram definitivamente como símbolo de uma geração que os usa para negar a alienação. Livre de explicações profundas, Laranja Mecânica é um romance que se passa no futuro e conta a história de Alex, líder de uma gangue de delinqüentes que matam, estupram e roubam. Ele é preso e usado como parte de um experimento destinado a evitar a violência.

 O filme de Stantley Kubrick foi inovador e deslocou o diretor para outro patamar, no qual hoje ele se apresenta como referência para qualquer um que preze por um bom filme. Com a arte literária, Burgess  cumpriu papel semelhante. Apesar de não ficar tão famoso quando Kubrick, ele trabalhou a linguagem de forma ímpar e, com desfechos diferentes, tanto livro quanto são relevantes dentro de seus gêneros.

A criação do nadsat, linguagem utilizada por Alex e seus druguis tanto no livro como no filme, marcou e causou estranhamento em quem conhece a obra.  O nadsat no livro é utilizado desenfreadamente.  Já no filme, optaram por utilizar apenas alguns termos, mas que se repetem a fim de se fazer entender sem necessidade de explicação, já que algumas edições do livro possuem um Glossário Nadsat.

A ultraviolência que causa enjôos em Alex é o que choca muitos durante filme. Entretanto no livro, a forma como são descritos os procedimentos do experimento com Alex projetam o leitor para o lugar do protagonista, a ponto de causa sentimentos semelhantes ao que ele sente: enjôos e náusea.

Se por um lado o espetáculo da violência evidenciado em ambas as obras é o que atrai a geração quer negar a alienação e projetar a violência real na ficcional, por outro, o sentimento de injustiça pelo experimento que o personagem Alex é submetido também aproxima a geração Y de clássicos do século XX.

Trecho de Laranja Mecânica, Antony Burgess:

Mais ainda, a ruindade faz parte do ser do eu, tanto em mim quanto em vocês no odinoki, e este eu é feito por Bog, ou Deus e é o seu grande orgulho e radóste . Mas o não-ser não pode aceitar o mal, quer dizer, os do governo, os juízes e os colégios não podem permitir o mal porque não podem permitir a individualidade. E não é a nossa História moderna, meus irmãos, a história de bravas individualidades malenk lutando contra essas máquinas enormes?

Trailer do filme Laranja Mecânica, Stanley Kubrick

 Mini glossário nadsat

Bog- Deus

Druguis – Amigo

Gúliver – Cabeça

Malenk – Pequeno, Pouco

Odinoki – sozinho

Radóste – Alegria

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