Transformers: O Lado Oculto da Lua

Michael Bay é conhecido por sua grandiloquência. Seus filmes são sempre grandes espetáculos visuais, já as histórias às vezes funcionam e às vezes não. Com a franquia Transformers a coisa não tem sido diferente. O espetáculo sempre esteve ali, mas a história já é algo a parte. Nenhum dos três filmes entrará para nenhuma lista de melhor roteiro, isso também é um fato, mas o segundo filme chegava a soar estúpido e desafiar nossa inteligência. O filme era basicamente ação e piadas ridículas. Foi prometido pelo diretor e pelos produtores que o terceiro seria melhor, e realmente é, mas não se anime muito, porque isso não era muito difícil.

Transformers: O Lado Oculto da Lua começa voltando no tempo para mostrar que alguns fatos históricos como a corrida espacial entre EUA e União Soviética teriam a ver com a aterrissagem de uma nave alienígena na lua. Logo ficamos sabendo que essa nave era de Cybertron (planeta natal dos robôs gigantes) e que continha a chave para o final da guerra civil entre Autobots e Decepticons. De volta ao presente somos apresentados a um Sam Witwicky (Shia LaBeouf) desempregado, vivendo às custas da namorada (Rosie Huntington-Whiteley) e sentindo falta de sua vida com os Autobots, já que ele foi deixado de lado depois de ter ajudado a salvar a Terra duas vezes, como ele faz questão de lembrar sempre. Claro que a calmaria na vida de Sam não vai durar muito e, como o imã de desastres que o personagem é, logo já está envolvido novamente em mais uma luta para salvar o planeta.

Toda essa história é vomitada em nossa cara nos primeiro minutos de projeção para que o caminho fique livre para Bay criar seu espetáculo visual. Os efeitos especiais nunca foram tão perfeitos. É incrível ver como o diretor tem mão para criar sequências de ação que por mais absurdas que sejam, parecem reais ao extremo, claro que com a ajuda da Industrial Light and Magic. Os robôs estão ainda mais perfeitos que nos filmes anteriores e a destruição de Chicago no epílogo do filme é inacreditavelmente bem feita. O elenco é repleto de nomes de peso como John Turturro, John Malkovich e Frances McDormand, mas que pouco podem fazer com o roteiro que lhes é dado. Shia continua o perdedor de sempre elevado ao papel de herói, o que encaixa muito bem ao seu estilo e é o que o torna tão agradável à audiência. Já Rosie Huntington-Whiteley, que entra para subtituir Megan Fox, demitida por sua atitude fora dos sets, não chega nem aos pés de sua anterior. A modelo/atriz é sim muito bonita, mas não tanto quanto Fox e ainda não conta com aquele ar de menina má que sua antecessora possuía.

O filme, junto com Avatar, leva o prêmio de melhor uso do 3D até hoje para mim. A noção de profundidade foi muito bem usada e nas cenas de ação e aéreas é de deixar o espectador boquiaberto. A técnica acaba fazendo bem para Michael Bay já que o obriga a desacelerar, principalmente nas cenas de ação pelas quais ele é conhecido pelos cortes rápidos típicos de videoclipes. Para podermos acompanhar a tecnologia e realmente aproveitá-la, é necessário que cenas mais lentas e com um plano mais aberto sejam feitas e isso faz com que possamos apreciar ainda mais as batalhas entre Autobots e Decepticons. Só que quando o 3D tem que se aplicar ao estilo do diretor nós, espectadores que perdemos. Bay não consegue manter sua câmera parada nem por um segundo e isso faz com que o espectador até passe mal. Aquelas cenas tão comuns de um diálogo em que a câmera corta de um personagem para o outro, pura cinematografia, não existem na cartilha do diretor como regra e sim como exceção. Para ele um bom diálogo é com a câmera girando em torno dos personagens e, com eles, gira nosso estômago. Não aconselho assistir ao filme em 3D depois do almoço, como fiz.

No fim das contas, e depois de duas horas e meia de explosões, você provavelmente sairá satisfeito com a diversão sem fim que é Transformers: O Lado Oculto da Lua e com uma certeza: ninguém faz cenas de ação e explosões tão bem quanto Michal Bay ao ponto de levá-lo a esquecer em certos momentos a importância da história e apenas se deliciar com o espetáculo. Diversão vazia da melhor qualidade.

Confira o trailer do filme abaixo:

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Uma resposta em “Transformers: O Lado Oculto da Lua

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