Crítica – O Diabo Veste Prada

Por Laura Almeida

Se você é do tipo que acha que Christian Louboutin e Manolo Blahnik são apenas nomes europeus afrescalhados, uma contextualização se faz necessária. No mundo da moda, editoras ocupam o lugar mais alto da “cadeia alimentar”, avaliando e analisando o trabalho de todos estilistas e cuidando de promover o que vemos nas passarelas.

O maior ícone quando se trata de editoras de moda é Anna Wintour, editora-chefe da Vogue America há quase 20 anos. E é sobre ela que O diabo veste Prada (The devil wears Prada, 2006) se constrói.

Lauren Weisberger, a autora do livro que deu origem ao filme, trabalhou como assistente de Wintour por alguns meses antes de jogar tudo para o alto e lançar esta quase-biografia.

A história tem como cenário a cidade de Nova York, uma das capitais mundiais da moda e é sobre designers, roupas e glamour que o enredo se desenvolve. Tão atraente quanto o título, a narrativa nos convida a fazer pare do dia-dia de Andrea Sachs, uma jornalista recém-formada que encontra na maior revista de moda do mundo, o seu primeiro emprego. Andy, como é chamada, é totalmente alheia a essa indústria fashion, mas acaba aceitando o emprego pois, como diz a lenda urbana bastante citada no livro “Trabalhe um ano para Miranda Priestly e conseguirá emprego em qualquer lugar”.

Andy então tem que aprender a conviver com os caprichos, exigências e chiliques de Miranda, trazendo a tona uma discussão sobre como nos adaptamos ao meio, sobre as concessões que todos fazemos ao encarar a vida real e o quanto isso pode afetar nossa própria dignidade.

Ao apresentar o mundo da moda de Manhattan, a autora nos dá uma verdadeira aula de moda, mesclada com histórias de intrigas, futilidades, frivolidades e muito glamour, fazendo um retrato realista e muitas vezes cômico do cotidiano de um mundo tão pouco convencional como o da revista Runway.

O livro traz uma diversão genuína, que apaixonará quem já gostou do filme. As diferenças centrais estão nos personagens, já que a Andy original é muito mais cínica, sarcástica e amarga do que no personagem interpretado por Anne Hattaway (2006). Anne trouxe um charme a mais a personagem, que acaba sendo muitas vezes enfadonha no livro, principalmente quando passa a ignorar o namorado e a sua melhor amiga.

Já Miranda acaba sendo um personagem apaixonante, de um jeito diabólico, em ambas as obras.  Meryl Streep encarna a perfeita bitch e tem uma atuação impecável no filme, que peca apenas por apresentar uma editora mais humanizada, que não existe no livro.

Portanto, se você é do tipo que tem a Vogue na cabeceira, o livro possivelmente te empolgará mais, mas não deixe de ver a filme pela atuação de Meryl Streep e pelo figurino impecavelmente fabuloso de Patrícia Field.

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