Como viver sem redes sociais (ou: Novas tecnologias, novas formas de aporrinhação)

por Felipe de Souza

Parir uma penca de babuínos no cio deve ser mais fácil que postar isto aqui: nunca vi nada tão lento na internet, sem falar da paciência desperdiçada. Estou feliz por nunca ter tido um blog na vida.

Agora, ao “tutorial” propriamente dito:

Prestem atenção no outro troço da Venceslau sobre café que ganharão mais, porque dificilmente poderia haver início mais idiota para a seção de Tutorial disso aqui do que temas do tipo “como viver sem alguma coisa”: coisa de blog de pré-adolescente. Mas, depois que minhas tentativas de ignorar o resto do grupo fracassaram – junto com minhas expectativas de ficar numa boa sem produzir nada – tive que escolher um tema às pressas, de preferência, algo que não exigisse muita pesquisa e capacidade intelectual, então fica assim mesmo.

Grande parte das pessoas passa grande parte do dia conectada a um ou mais tipos de redes sociais da internet, principalmente o Twitter, Facebook e Orkut – embora este esteja gradualmente sendo relegado ao status de “favela da internet”. E pelo que escutei, é comum a ansiedade e a sensação de que, se você não está ligado nessas ferramentas, perde informações importantes – e por isso a importância de estar conectado por tanto tempo.

Mas isso é uma idiotice.

É aceita por todos a ideia de que, em alguns anos, temos a capacidade de acumular uma quantidade de dados que nossos ancestrais levariam séculos inteiros para reunir. Tudo por causa da imprensa, do rádio, da TV, e principalmente, nos dias de hoje, da internet.

Mas o que também é ponto pacífico, ou deveria ser, é que muito da informação que produzimos hoje não é boa nem para empurrar privada abaixo. E assim que você aceitar algumas coisas, terá mais facilidade em diminuir seu tempo teclando F5 no seu mural do Facebook (ou coisa que o valha):

1: Você não é uma pessoa interessante

O mundo não vai parar de girar se você morrer, muito menos se não souberem os detalhes da sua vida. Se seus amigos querem saber essas coisas, é porque não tem terrenos grandes o bastante para carpir. E isso vale de forma reversa: não vale a pena o esforço de se manter atualizado sobre seus amigos.  Se acontecer algo bizarro o suficiente para que compense espalhar, você acabará sabendo disso pessoalmente, então toda a paranóia com a internet é desnecessária.

De resto, você pode passar o dia sem as frases de Twitter e MSN do tipo “Saí ontem, trabalhar de ressaca é dose” (da próxima, beba um pouco mais para entrar em coma alcoólico e morrer de vez), “Shoni, ainda te amo”, “Nada melhor do que ver TV depois de um dia de trabalho”, “Estou ficando bom em técnicas de masturbação com a mão esquerda” e “Daqui a pouco, passear com o cachorro”.

2: De modo geral, as coisas que te fazem rir na internet são idiotas

Os vídeos de sucesso no Youtube são idiotas, e na maioria das vezes, não são engraçados. E ficam piores ainda porque todo mundo fala sem parar sobre os ditos vídeos. Mas, se não estiver por dentro de hits sobre travestis de sotaques estranhos, possivelmente ficará sem assunto no círculo de conversa. Por isso eu digo: saia do círculo e vá fazer outra coisa. Ganhará mais.

Taí: agora que você viu que não precisa ficar metade do dia conectado, aí vem a dúvida: e agora, o que faço com essa porrada de tempo livre? Várias coisas, na verdade: fingir estudar, caminhar na rua, ir à padaria, etc. Mas aqui vão duas sugestões:

1: Pegue um livro. Abra o livro. Leia essa joça até o final.

2: Esta é uma das minhas preferidas. Deite na cama e olhe para cima. Provavelmente você encontrará uma parte da estrutura da sua casa, utilizada para te proteger de chuva, sol e o escambau. Isso se chama teto. Escolha um ponto no teto, qualquer um de sua preferência. Fixe o olhar nesse ponto até adormecer. Não é muito construtivo, mas numa hora dessa você provavelmente estaria agüentando um amigo contando coisas sobre as quais você não está nem remotamente interessado (ninguém quer saber coisas como: “sabe aquele nosso conhecido do primeiro ano, que tinha queimado 90% do corpo em um acidente? Ele queimou os outros 10% ontem”).

Caso precise fazer outro tutorial, o próximo tema será: ignorando ligações telefônicas e tendo um dia melhor.

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5 respostas em “Como viver sem redes sociais (ou: Novas tecnologias, novas formas de aporrinhação)

  1. Como é que costumam dizer?

    Lembrei! “Ótimo texto, Felipe. Continue assim.”
    Não, mas falando sério: a parte do livro, eu curti (opa, gostei). E sem contar que esse seu post é uma pílula que fará bem para os que têm auto-estima baixa.

    P.S.: Tenho uma ideia pra um próximo: xingar a outra parte restante da população do planeta.

  2. O grande sucesso das mídias sociais revela um novo fenômeno que vem acontecendo com as pessoas: a dificuldade de ficar em silêncio. Há quanto tempo cada um de nós não desliga seu celular, desconecta da internet e tentar olhar pra dentro de si mesmo?
    Há quem acredite que falar deliberadamente ajude a resolver problemas, elaborar situações. E aí posta no facebook, escreve frases de 140 caracteres no twitter, manda depoimento, scrap, publica no blog suas agruras diárias e passa horas no msn.
    Ledo engano. Falar demais (seja pessoalmente como virtualmente) é apenas a rota de fuga de nós mesmos. Embora se pense que o silêncio signifique nada, é no silêncio que as verdades sobre nós mesmos aparecem. Verdades estas que muitos de nós não estamos dispostos a encarar.
    Portanto, se alguém me disser “Quem fala demais é porque não tem nada a dizer” eu corrijo: quem fala demais é porque tem muito a esconder de si mesmo.

  3. Pingback: Não vivo sem! | Y-Tudo

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